A paralisão de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo, que entrou em seu terceiro dia nesta quinta-feira (22), está marcada por uma série de boatos e informações desencontradas por parte dos manifestantes. O movimento – que afeta milhões de passageiros na capital desde terça-feira (20), chegou a fechar 16 terminais e agora se estende à Região Metropolitana (Osasco, Itapecerica da Serra, Diadema e Embu) – parou por conta própria e não tem mostrado objetivos definidos. Também não há uma liderança para apresentar as reivindicações nem o apoio do sindicato que representa a categoria.
Na quarta-feira (21), funcionários da Viação Santa Brígida afirmaram que continuam parados porque o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), negou-se a fazer uma reunião com motoristas e cobradores em greve. Eles disseram, ainda, que todas as outras empresas da cidade também parariam diante da negativa de Haddad, mas apenas a Santa Brígida estava com a garagem fechada às 7h desta quinta.
Em uma reunião na quarta-feira, um grupo que representa os grevistas afirmou que pediria que Haddad intercedesse pelos motoristas junto aos empresários. Um termo assinado após a negociação previa que o superintendente regional do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, apresentaria o pedido da categoria às 10h desta quinta na prefeitura. No mesmo horário, porém, Haddad concedia entrevista coletiva e disse que não haveria essa reunião."Se o prefeito não tem pressa lá, nós não estamos com pressa aqui. Vamos ver quantos dias São Paulo aguenta sem ônibus", declarou um dos manifestantes da Viação Santa Brígida.
Boato de 19%
Outro desencontro de informações visto durante a paralisação ocorreu em relação a um possível aumento de 19% que seria dado pela Prefeitura de São Paulo. Os manifestantes davam como certo esse reajuste. O governo municipal, contudo, negou e afirmou se tratar de boato. O percentual de 10% aprovado pelo sindicato, em assembleia na segunda-feira (19), revoltou parte dos trabalhadores e foi o estopim para a paralisação iniciada na terça. Motoristas que aderiram à greve falam em um pedido de até 33% de aumento salarial.
Segundo um grevista identificado como Raul, "o sindicato passou tudo diferente para a gente. A gente viu o prefeito falando na TV qual foi o acordo: 19% de reajuste, ticket de R$ 22 [diário]. O valor que o sindicato passou foi de R$ 16,50 pelo ticket e só 10% de reajuste. Isso a gente viu o prefeito falando. Essa diferença, o sindicato e as empresas estão passando a mão. Estão roubando a gente".
Segundo um grevista identificado como Raul, "o sindicato passou tudo diferente para a gente. A gente viu o prefeito falando na TV qual foi o acordo: 19% de reajuste, ticket de R$ 22 [diário]. O valor que o sindicato passou foi de R$ 16,50 pelo ticket e só 10% de reajuste. Isso a gente viu o prefeito falando. Essa diferença, o sindicato e as empresas estão passando a mão. Estão roubando a gente".
Já o motorista Sidney dos Santos disse que a reunião entre o sindicato e as empresas de ônibus foi antecipada para que ninguém participasse. "Fecharam tudo, tudo bonitinho, deram o que eles quiseram, o ticket no valor que eles quiseram, sem comunicar ninguém. A gente não concorda. A gente reivindica R$ 22 de ticket no mínimo, a gente quer R$ 33 de PL e PLR (participação nos lucros e resultados) de R$ 1.500. A gente quer reajuste de 33%."
Reajuste oferecido
Em assembleia realizada na segunda-feira entre o sindicato dos motoristas e as empresas de ônibus, ficou decidido que a categoria terá 10% de reajuste salarial, ticket alimentação mensal de R$ 445,50 e participação nos lucros e resultados de R$ 850.
A categoria obteve ainda reconhecimento à insalubridade, que dá direito a aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho. Inicialmente, as empresas ofereceram 5% de reajuste. Já o sindicato pedia um índice de 13%.
g1
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