O tumulto ocorreu após o apito final da primeira etapa. Lucas mostrou a Orban o algodão ensanguentado que usava no nariz depois de levar uma cotovelada dele aos 37 minutos – não advertida pelo árbitro. Jogadores dos dois times, inclusive os reservas, então começaram a trocar empurrões. O juiz expulsou Díaz, do Tigre, e o são-paulino Paulo Miranda.
Na volta, a polêmica começou na véspera, pois, por conta do ruim estado do gramado em virtude da realização de dois shows da cantora norte-americana Madonna, o São Paulo impediu o Tigre de reconhecer o Morumbi. No dia da partida, a tensão aumentou. Após ter o ônibus apedrejado na chegada ao estádio, a equipe argentina precisou enfrentar seguranças para aquecer em campo.
Quando o árbitro chileno Enrique Osses apitou pela primeira vez, o São Paulo mostrou que iria controlar o jogo. O único susto foi aos 14 minutos. Jogador mais agudo e valorizado do Tigre, Botta limpou a marcação do volante Wellington na esquerda da grande área e chutou rasteiro. Mas o goleiro Rogério Ceni se agachou e fez a defesa no canto direito baixo.
Aos poucos, o São Paulo foi amansando o adversário e amadurecendo o gol. Até que, aos 22 minutos, Willian José, substituto de Luis Fabiano, recebeu passe na área, fintou o zagueiro e atrasou para Jadson. O meia não alcançou, mas a sobra ficou com Lucas. O camisa 7 adiantou a bola e chutou cruzado, de pé esquerdo, para vazar o goleiro Albil, até então preocupado em fazer cera.
Cinco minutos mais tarde, o São Paulo se valeu de novo de seu veneno mais letal: a habilidade e a velocidade de Lucas. O meia-atacante fez boa jogada na intermediária e passou para Osvaldo nas costas da defesa. Em posição duvidosa, o atacante continuou a jogada normalmente e tocou a bola por cima de Albil para ampliar a vantagem e levar a torcida a gritar “o campeão voltou”.
Ao verem a tática de retranca cair, a violência demonstrada pelo Tigre em Buenos Aires voltou à tona. Aos 37 minutos, Lucas levou uma cotovelada de Orban e caiu no gramado, com o nariz sangrando. O juiz, que no começo tinha boa atuação, deixou o jogo correr, irritando Rogério Ceni. Por reclamação, o capitão são-paulino recebeu cartão amarelo. A torcida, enquanto isso, já fazia festa na arquibancada e gritava "olé".
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