O carro alegórico que se envolveu em um acidente e matou quatro pessoas em Santos (SP), na madrugada de terça, não tinha freios nem janela para o motorista enxergar, segundo a Polícia Civil. O delegado-assistente do 5º DP de Santos, João Octávio Ribeiro de Mello, participou de novas perícias nesta quarta-feira e constatou que veículo da escola de samba Sangue Jovem, ligada a torcedores do Santos Futebol Clube, foi construído a partir do chassi de um caminhão sem qualquer visibilidade para o condutor, que ocupava a direção na parte interna do carro.
Durante a dispersão do desfile, o veículo saiu da rota e seguiu em direção à calçada e acabou batendo contra um poste, o que causou uma descarga elétrica que provocou a morte de quatro pessoas. Depois da batida, o veículo ainda pegou fogo. Agora, novas perícias irão determinar o que fez o carro alegórico sair do centro da avenida. Segundo Mello, a suspeita de que o eixo de direção estava quebrado já está praticamente descartada. A peça “está funcionando normalmente”, disse o delegado.
Três homens que morreram eletrocutados no local foram contratados pela Sangue Jovem para empurrar o veículo por uma barra fixada na parte traseira. “Achei bem complicado, principalmente pelo calor, mormaço e o som alto que o motorista tinha que suportar para ficar dirigindo ‘de ouvido’”, afirmou Mello. “Se esse carro pega algum tipo de impulsão, não tem freio”.
Nesta quarta-feira, foram feitos desenhos para reconstituir o trajeto que o carro alegórico fez até a colisão. O veículo será também pesado pela perícia. Outra análise deve verificar a declividade da avenida. O laudo final deve sair em 30 dias.
O boletim de ocorrência foi registrado inicialmente como homicídio culposo. Nenhuma pessoa foi indiciada até o momento, mas, segundo a polícia, serão ouvidos integrantes da escola de samba, bombeiros, Defesa Civil e da Prefeitura de Santos. A investigação deverá determinar se houve alguma negligência com relação a normas de seguranças no evento.
Enterro - Os corpos das quatro vítimas foram enterrados nesta quarta-feira. Entre eles, Victor Ferreira, de 29 anos, Leandro Monteiro, de 27 anos, e Ludenildo da Silva Militão, de 25 anos, que haviam sido contratados para empurrar o carro da escola. A outra vítima foi Mirela Diniz Garcia, de 19 anos, que assistia ao evento na calçada e chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu.
Segundo a Prefeitura de Santos, cinco pessoas continuam em observação médica devido à descarga elétrica, mas passam bem e devem receber alta ainda nesta quarta-feira. As informações são do Veja.
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