Um motorista da Auto Viação Jabour voltou assustado à garagem da empresa, em Senador Vasconcelos, na Zona Oeste do Rio, na manhã desta terça-feira (13), após ter sido ameaçado por tentar trabalhar enquanto um grupo dissidente de rodoviários faz paralisação do serviço. Era a primeira viagem do dia quando, segundo o funcionário, dois rodoviários em uma moto cercaram o coletivo e ameaçaram o motorista com uma arma de fogo.
"Primeiro, um deles quebrou o retrovisor com um pedaço de madeira e depois apontou a arma para mim, falando que eu era o próximo alvo", contou.
O condutor, que pediu para não ser identificado, afirmou que os dois homens na moto usavam uniforme de empresas de ônibus. "Como é que se trabalha desse jeito, sendo ameaçado com arma de fogo pelos próprios colegas? Eu tenho um filho de 6 anos me esperando em casa. É muita covardia fazerem isso com a gente", lamentou.
Outro condutor, que também preferiu não se identificar, revelou que passageiros ficaram desesperados quando pedras foram arremessadas contra o para-brisa do coletivo que ele dirigia.Segundo o homem, o ataque ocorreu no ponto final da linha 835, no Largo do Correio, em Campo Grande, também na Zona Oeste. Ele foi um dos motoristas que a empresa buscou em casa pela manhã. "Para os que moram longe, a gente providenciou transporte, para conseguirem chegar para trabalhar", afirmou Rodrigo Almeida, despachante de garagem da Auto Viação Jabour.
"A gente estava próximo da Estrada da Cachamorra. Eu não cheguei a ver se tinha alguém armado. Eles estavam dentro de um carro esperando o ônibus passar. Eram quatro – três desceram e atiraram as pedras. Os passageiros viram uma moto escoltando o carro", disse.
Até as 11h, de acordo com Almeida, 75 ônibus da empresa haviam sido depredados. Ao todo, a companhia colocou 40 veículos em circulação nesta manhã. O funcionário da Auto Viação Jabour disse que a Polícia Militar chegou a reforçar a segurança em alguns pontos da Zona Oeste, mas não conseguiu impedir os ataques. "Como os percursos são longos, eles [grevistas que estão depredando coletivos] ficam de tocaia e se comunicam por rádio. Então, não tem como impedi-los", afirmou.
Na paralisação da última quinta-feira (8), a Auto Viação Jabour foi a empresa que mais teve prejuízos, com 67 veículos danificados. A maioria teve para-brisas e janelas quebrados em ataques com pedras.
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