sexta-feira, 18 de março de 2016

Andrea Matarazzo deixa o PSDB

O vereador Andrea Matarazzo anunciou nesta sexta-feira (18) a desfiliação do PSDB após o partido revogar a decisão do adiamento das prévias para definir o candidato do partido à eleição para prefeito de São Paulo. Matarazzo entregou uma carta de desfiliação à executiva do partido. O PSDB confirmou a desfiliação e está reunido para definir como fica a questão da definição do representante do partido nas eleições.

"Depois de 25 anos de dedicação e lealdade, não tenho mais condições de me manter no PSDB. Tomo tal atitude depois de muito refletir, com dor no coração. Mas é o único caminho que me resta. Pelo exposto, solicito minha desfiliação do Partido da Social Democracia Brasileira!, escreveu Matarazzo.

O PSDB realizaria o segundo turno das prévias municipais no domingo (20) entre Matarazzo e o empresário João Dória Jr.

O pré-candidato denunciou adversário João Dória Jr. nas prévias de irregularidades no dia da votação do primeiro turno. 

"O comportamento de parte do partido nestas prévias que é uma réplica do que o PT está fazendo e o PSDB condena. Vimos compra de votos sem cerimônia com gravações para comprova-la, transporte de eleitores, constrangimento de pessoas, seguranças dentro dos locais de votação e uso da máquina pública", escreveu Matarazzo, em nota. Tudo isso me faz acreditar que o PSDB não é mais o partido que ajudei a construir."

Matarazzo havia solicitado o adiamento do segundo turno. 

"Dada a insegurança jurídica e ilegalidades cometidas pelo outro candidato, pedi o adiamento do segundo turno das prévias", alegou. 

O diretório municipal adiou o segundo turno para 30 de abril, mas a executiva estadual manteve as prévias para este domingo.

Matarazzo expressa sua "indignação diante do descalabro ocorrido nas prévias para escolha do candidato do PSDB a Prefeitura de São Paulo. " O vereador diz que ao se deparar com as barbáries ocorridas ao longo do processo das prévias percebeu que ele se transformou na negação do que, desde a sua origem, o PSDB pregou.

Ele aponta que viu no dia da votação "o intensivo uso da máquina do governo do Estado, bem como o ilegal abuso do poder econômico." Em nota, Matarazzo afirmou: "Eu entrei nessa prévia para ser o prefeito de São Paulo e não para ser cabo eleitoral para 2018."

"Ao longo do fatídico dia 28 de fevereiro assistimos perplexos a ostensiva e irregular publicidade eleitoral; a prática escancarada de boca de urna (definida como crime eleitoral); o transporte massivo de eleitores; a oferta de alimentação; a realização de festas com oferecimento de bebida alcoólica; a violência nos locais de votação; o impedimento dos fiscais exercerem suas funções; a afronta ao exercício do voto secreto; a intimidação física e moral de eleitores. E a pior das afrontas: a compra de votos", disse Matarazzo.

Matarazzo diz que o processo foi "completamente contaminado pelo arranjo do pré-candidato João Dória Jr." e "foi definitivamente colocado sob suspeição a partir das próprias declarações do postulante, confessando à imprensa que faz pagamentos mensais a militantes tucanos para obter apoio nas prévias." Para ele, "isso é ilegal, imoral e indecente."

"O PSDB ainda é um partido formado por uma parcela de pessoas dignas, militantes dedicados e batalhadores, lideranças inquestionáveis, mas que também foram atropeladas por essa forma arcaica, atrasada de se fazer política. Sou profundamente grato a essa militância tucana que não se dobrou à pressão e exerceu seu direito de votar livremente na disputa interna. Ela sempre terá o meu respeito."

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