"Nós estamos diante de um fato grave, uma agressão não à minha pessoa, mas à cidadania, à democracia e à nossa Constituição", disse Dilma durante cerimônia de posse de Lula como ministro e também de outros três ministros.
A presidente também fez duras críticas à condução da Operação Lava Jato. "Não há Justiça quando delações são tornadas públicas de forma seletiva para execração de alguns investigados e quando depoimentos são transformados em fatos espetaculares. Não há Justiça quando leis são desrespeitadas, a Constituição, aviltada. Não há Justiça quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas", falou.
Dilma informou que o caso será apurado. "Estaremos avaliando as condições desse grampo que envolve a Presidência da República. Nós queremos saber quem o autorizou, por que o autorizou e por que foi divulgado quando não continha nada, eu repito, nada que possa levantar qualquer suspeita sobre seu caráter republicano", falou.
No início do discurso da presidente, assim que Dilma falou "bom dia", o deputado federal Major Olimpio gritou "vergonha", gerando revolta entre os presentes, que responderam com "não vai ter golpe". O deputado acabou sendo retirado do local.
Escutas telefônicas
Na quarta-feira (16), cerca de duas horas após o Palácio do Planalto anunciar que Lula seria o novo ministro da Casa Civil, a Polícia Federal divulgou o conteúdo de conversas telefônicas de Lula, interceptadas com autorização da Justiça.
A divulgação ocorreu depois que o juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava Jato, quebrou o sigilo das investigações e, com isso, tornou públicas gravações contidas no processo.
Em uma das conversas, Dilma e Lula conversam por telefone a respeito do termo de posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil, que dá foro privilegiado ao petista.
Posse questionada
Nesta quinta-feira, a juíza da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, Ivani Silva da Luz, acolheu denúncia feita pelo movimento Pátria Brasil contra o governo federal, que questiona a posse de Lula como ministro da Casa Civil.
No despacho, a magistrada diz que tem competência para julgar o caso e dá 48 horas para o governo se manifestar sobre o caso. Após esse período, a juíza deve decidir, em primeira instância, se Lula será mantido ou afastado do cargo.
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