quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Blog entrevista candidato ao governo do estado de SP, Luiz Marinho (PT)

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Foto: Divulgação
O blog entrevistou o candidato a Governador do Estado de São Paulo, Luiz Marinho (PT). Ele falou sobre transporte público, saúde, educação, violência no estado, entre outros assuntos e fez duras criticas ao governo PSDB que governa o estado à mais de 20 anos.

Confira à entrevista abaixo:

1 - As obras do Metrô estão atrasadas desde 2012. O atual governo fez várias promessas para a população e até agora nada. O Monotrilho na zona leste só tem duas estações que operam durante todo o dia, parece mais um passeio da Disney, e a linha da zona sul, que ligaria Jabaquara até o Morumbi estão com às obras paralisadas, além da CPTM que sempre tem falhas e com isso os trens sempre circulam superlotados. Caso o senhor seja eleito, qual é a sua proposta para melhor o transporte em São Paulo?

R- Os atrasos nas obras das administrações do Alckmin e da turma do Dória são resultado de falta de planejamento e compromisso com os trabalhadores que precisam de transporte público de qualidade e eficiente. Ele é o rei da promessa não cumprida. É inadmissível que nesses 24 anos de governos tucanos, 14 sob o comando dele, São Paulo tenha avançado tão pouco na construção de metrô.

Quando eu assumir o governo do Estado duplicarei os investimentos para concluir as obras das linhas do Metrô e o monotrilho que alcançaram o dobro do custo inicial e está inacabado. Vamos concluir principalmente a Linha 6 Laranja, a chamada linha universitária. 

Vamos retomar uma ideia original das administrações do PT de transporte integrado implementar o bilhete único mensal válido para todos os modais de transporte da grande São Paulo e demais Regiões Metropolitana. Está também na nossa meta remodernizar a malha de trens metropolitanos.    

2 - Ainda falando sobre transporte público, todos os anos o governo anuncia aumento das tarifas. Virou tradição. Em janeiro tem aumento. Tem como diminuir a tarifa, ou pelo menos congelar, ou essa política de aumento vai continuar na sua gestão? 

R- Todos os contratos realizados pelos governos tucanos preveem reajustes automáticos de tarifas, quer seja dos pedágios nas rodovias, habitualmente atualizados no mês de julho, ou nas passagens de ônibus, costumeiramente aumentados no mês de janeiro. Esses contratos foram feitos sob a ótica dos gatilhos para reposição da inflação, cultura herdada de um período de inflação alta, para garantir a taxa de retorno dos investimentos (TIR) que é um parâmetro elevado se considerada com os países desenvolvidos por todo o mundo.

Nós temos que buscar meios de assegurar a taxa de retorno dos investimentos em níveis civilizados para não onerar a população em favor do aumento dos lucros das empresas e das concessionárias. A maioria desses contratos, principalmente os das concessionárias de pedágios, têm impactado de forma negativa na economia do Estado. Vamos analisar cada contrato porque a minha percepção é que tem alguma coisa estranha nesses contratos.

3 - Agora falando sobre educação, as escolas estaduais parecem presídios. Estão totalmente abandonadas, e os professores correm risco de ser agredidos por alunos. Como o senhor vê essa questão?

R- A violência nas escolas é uma realidade que tem como fonte inicial a falta de valorização dos sucessivos governos do PSDB, que padecem de baixos  salários, falta de investimentos nas escolas que estão degradadas, sem reformas, bibliotecas, quadras e ambiente que potencialize o desenvolvimento dos alunos e professores. Temos que recuperar a qualidade do ensino, estimular os professores, oferecer qualificação aos profissionais da educação, aumento salarial e reorganizar a dinâmica nas escolas e propiciar ambiente saudável e integrado com a comunidade. É fundamental criar condições para que os professores e todos os profissionais da educação tenham plenas condições de trabalho. E para mostrar que nosso compromisso é valorizar os professores vamos, em quatro anos, dobrar os salários das professoras e professores.

4 - Aqui na zona sul de São Paulo, a prefeitura entregou somente uma pequena parte do Hospital de Parelheiros. A nova promessa agora é somente para o ano que vem. Caso seja eleito, o senhor como Governador vai ajudar a prefeitura a entregar o hospital de Parelheiros e ajudar outros que estão nessa mesma situação, ou isso é somente responsabilidade do prefeito? E quais são seus projetos para a Saúde, que anda em situação precária no estado de São Paulo?

R- Uma das marcas do PSDB nesses 24 anos é o pouco caso com que trata a saúde. Os governos tucanos têm tido uma postura autoritária e isolacionista da gestão estadual de saúde, sempre de costas para os municípios e para as necessidades da população. O estado, nesse período, não foi capaz de garantir os compromissos constitucionais que visam um sistema de saúde universal, integral e equânime. Em vez de cumprir sua parte na gestão do SUS preferiu ficar disputando marcas com os municípios. Nosso compromisso é fazer uma gestão solidária e compartilhada com todos os municípios, garantindo a coordenação e o apoio técnico para efetiva implementação local e regional do SUS. A exemplo do que fiz em São Bernardo, vamos fazer uma verdadeira revolução na saúde, melhorando a qualidade do serviço, modernização dos equipamentos, além de eficiência e otimização da gestão.

5 - Um dos grandes problemas que a população enfrenta é a falta de segurança. Os números de mortes aumentam a cada ano. O que o senhor pode fazer para diminuir o número de crimes no estado?

R- A questão da segurança e combate à criminalidade não pode ser tratada apenas como uma questão de polícia. Temos que fazer investimentos pesados em educação, esporte, cultura e lazer.

Mas especificamente na questão das polícias precisamos de investimentos em efetivos, salários, na autoestima dos policiais e inteligência. Hoje faltam investigadores nas delegacias. Só são investigados crimes de grande repercussão midiática. A Polícia Militar não consegue nem repor o número de polícias que se aposentam ou estão afastados por motivos de saúde. Além disso, ainda temos milhares de policiais que em vez de estarem nas ruas fazendo patrulhamento estão fazendo serviços administrativos e burocráticos. No nosso governo esses policiais irão para as ruas. Vamos trabalhar para reduzir os índices de violência.     

6 - O senhor conta com o apoio do ex-presidente Lula, mesmo ele estando preso?

R- O ex-presidente Lula é um preso político, perseguido e condenado por um crime que não cometeu. Eu tenho a honra de ser amigo do ex-presidente Lula que tem o reconhecimento de que foi o melhor presidente que a população brasileira já teve no nosso país. Tanto é assim que ele lidera todas as pesquisas de opinião e com grandes chances de vencer já no primeiro turno. Ele será candidato, será eleito e o nosso povo vai voltar a ser feliz. E terá um papel fundamental na nossa campanha e na nossa vitória.

7 - Caso o senhor seja eleito, qual será sua primeira tarefa no primeiro dia de governo?

A minha primeira tarefa no governo é mudar a mentalidade da administração. Vamos fazer um governo onde toda a população do estado seja ouvida e onde o planejamento seja respeitado. O governo do estado precisa aprender a trabalhar de forma planejada. E nesses 24 anos de PSDB foi exatamente o que faltou para o nosso estado. Costumo dizer que em 24 anos se você planejar resolve tudo. E sem fazer o planejamento o PSDB não conseguiu solucionar nenhum gargalo. Em qualquer área, de qualquer região do Estado, você percebe como os governos tucanos foram incompetentes em sanar problemas.

8 - Na sua opinião, porque o PT nunca conseguiu eleger até hoje um candidato ao governo do estado de São Paulo?

R- O Estado de São Paulo está nas mãos do consórcio PSDB, MDB há décadas e isso criou uma cultura de aparelhamento do Estado, fisiologismo que evoluiu e trouxe raízes e barreiras que pudessem levar a população uma visão crítica e perspectivas de outra modelo de gestão. E eles ainda contaram com a proteção de grande parte da mídia nesses 24 anos. A ausência de críticas cobranças em relação as omissões, falhas e corrupção que ocorrem ao longo dos anos dos governos do PSDB em São Paulo.

Mas historicamente o nosso partido tem em média 20% dos votos no Estado. E este período eleitoral é nossa grande chance de dialogar com a população e mostra nossas propostas para trazer desenvolvimento, gerar emprego e oferecer oportunidade para o desenvolvimento do potencial do povo paulista. E vale lembrar que o PT já governou para 60% do povo paulista em prefeituras como a da Capital.

9 - O senhor é a favor das privatizações?

R- As administrações petistas têm experiências bem-sucedidas em concessões não onerosas que trouxeram boas parcerias com o setor privado, sem sacar o bolso da população. Um bom exemplo é como se deu a concessão das Rodovias Federais que cobram tarifa de pedágio muito mais acessíveis, que os valores cobrados nas estradas privatizadas pela PSDB em São Paulo. Agora não dá para falar em Pops como a que o Alckmin fez na linha 5 do Metrô onde a iniciativa privada não corre nenhum risco e o estado banca até passageiro não transportado.

10 - Candidato como foi sua infância?

Eu nasci em Cosmorama, na região de Rio Preto, e fui criado em Santa Rita do Oeste, lá na divisa entre Minas e Mato Grosso do Sul. Levei uma infância como toda criança do interior. Logo aos seis anos comecei a ajudar na roça, raleando algodão, cai de lombo de burro, ouvia moda de viola, ouvia os mais velhos contarem história, jogava bola com meia, laranja... enfim, uma vida típica de garoto do interior.

11 - Porque o senhor decidiu ser candidato ao governo do estado de SP?

Porque acredito que é possível fazer diferente, fazer mais e fazer melhor. Nesses 24 anos de gestão os tucanos colocaram São Paulo em um estado de letargia e eu quero tirar São Paulo dessa paralisia. E quero fazer um governo que olhe para todo o estado, que veja São Paulo com as suas diferenças, respeite essas diferenças, um governo que valorize as mulheres, os homens, negras e negros, jovens, a comunidade Ligeti, os quilombolas, os indígenas. Enfim, para fazer um governo onde todas e todos se sintam representados.

12 - O senhor é a favor da Lava Jato?

R- Os governos do Partido dos Trabalhadores foram as responsáveis pelo salto de qualificação, elevação de contingente e salário da Polícia Federal. Foi o governo do PT quem trouxe ao país legislações, condições e mecanismos de transparência e combate à corrupção.

A nossa crítica é a ação seletiva da Lava Jato contra o PT, a criminalização e judicialização da política. Esta ação é que traz danos para a Democracia do país e injustiças como a prisão arbitrária do ex-presidente Lula.   

13- Qual é a sua avaliação do governo Alckmin?

R- O Estado de São Paulo está amordaçado, reduzido pelo domínio do PSDB há 24 anos na administração paulista. E como disse anteriormente, somente Alckmin ficou 14 anos no poder. São Paulo tem sofrido com o sucateamento dos hospitais, abandono nas escolas, elevados índices de violência e criminalidade e ocultação de seus problemas e corrupção. Temos que lembrar também da relação e parceria do ex-governador com o golpe. 

O governador Geraldo Alckmin foi único governador que recebeu o golpista Michel Temer logo após o impeachment da presidenta Dilma, eleita democraticamente e foi alvejada pelo golpe.   

14 - Muitos paulistas estão desempregados, devido a grave crise que o país vive. Qual é o seu projeto para diminuir o número do desemprego em São Paulo?

R- São Paulo tem muito potencial é está engessado pelo governo medíocre do PSDB. Nós temos que tem política de desenvolvimento regional, estimular que as regiões desenvolvam seus potenciais e vocações. O Estado deve ser indutor da economia e estimular geração de emprego por meio de políticas públicas que combatam o desemprego, a miséria e promovam inclusão econômica e social. Precisamos criar condições para gerar empregos, oportunidades, principalmente para os jovens e quem tem mais de 40 anos que é justamente quem sofre mais com o desemprego.          

15 - Luiz Marinho, o Blog do Leandro Leite agradece pela sua participação na nossa sabatina online. Obrigado e boa sorte!




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