A cúpula do PT aprovou no sábado (1º) uma resolução que trata dos rumos do partido e enaltece Fernando Haddad como uma nova liderança petista.
O documento é resultado de dois dias de discussões do Diretório Nacional, que se reuniu em um hotel em Brasília. A versão final da resolução ainda será divulgada pelo partido.
Ao ser questionada por jornalistas se o partido faria alguma autocrítica na resolução, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que o PT faz autocrítica "na prática".
"Não tem autocrítica no texto. O PT faz autocrítica na prática. O PT fez financiamento público de campanha, o PT está reorganizando as bases, o PT está com movimento social. Nós não faremos autocrítica para a mídia e não faremos autocrítica para a direita do país", afirmou.
O PT reconhece, de forma genérica, que cometeu "alguns equívocos" durante os governos petistas, mas dirige as críticas à mídia e parte do Poder Judiciário.
”Fomos republicanos com quem não é e nunca foi republicano”, diz trecho da resolução em referência ao que seria o primeiro "equívoco".
O texto cita também serviços de inteligência, Forças Armadas, corporações conservadoras, parte do Ministério Público e grande parte da Polícia Federal.
“Permitimos que esses grupos se reproduzissem e acumulassem força para nos derrubar numa ruptura da Constituição”, diz o documento.
O segundo "equívoco" apontado pela legenda foi não ter investido “na disputa de valores e da cultura como deveríamos fazer, na disputa de hegemonia”. Segundo o PT, “fazer políticas sociais benéficas” não foi o suficiente para que o partido se mantivesse conectado com os interesses de maiorias.
Direcionado à militância, o documento afirma ainda que terá continuidade a “luta pela liberdade e pela anulação de todas as sentenças injustas” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que Fernando Haddad, substituto de Lula na chapa presidencial, “se projeta como uma nova liderança nacional do partido”.
O diretório traça três eixos de atuação: defesa da democracia e da liberdade de Lula, defesa dos direitos do povo brasileiro e do patrimônio nacional e defesa do papel soberano do Brasil no mundo.
Na sexta-feira (30), primeiro dia de encontro do Diretório Nacional, foi lida uma carta enviada por Lula em que defende que o partido precisa se "reconectar com as bases". Foi a primeira manifestação pública dele após as eleições de outubro.
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