segunda-feira, 20 de julho de 2020

Quebra de sigilo liga funcionários da Assembléia Legislativa de São Paulo, a ataques virtuais

MP de SP investiga denúncia de que gabinete de Douglas Garcia na ...
Deputado Douglas Garcia, na Assembléia Legislativa. Foto: Divulgação
A quebra de sigilo no processo que apura suposto “gabinete de ódio” na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ligou funcionários do deputado estadual Douglas Garcia a ataques a parlamentares do PSL adversários do clã Bolsonaro, e até ao Supremo Tribunal Federal, segundo o Estadão. 

Garcia é investigado no inquérito das fake news e foi expulso na última semana do PSL. Os documentos relacionam os IPs (espécie de CEP digital) de um auxiliar e dois assessores do parlamentar às publicações.

O post de ataque ao Supremo foi feito em novembro de 2019, na página do Movimento Conservador, depois da mudança no entendimento da Corte sobre a prisão após segunda instância.

A foto, publicada no Instagram, dizia “STF vergonha nacional”, com convocatória para uma manifestação contra a Corte. Todos os posts rastreados no processo são entre maio e dezembro passados.

As demais publicações atacam deputados do PSL que romperam com Bolsonaro, chamando-os de “caroneiros” e “traíras”.

Delegado Waldir (GO) é xingado (“seu bost*”) e Joice Hasselmann chamada de “Peppa Pig”.

Os IPs identificados são dispositivos registrados nos nomes dos funcionários do gabinete: Eduardo dos Santos Martins, Lilian Denise Goulart Silveira e Paulo Sousa da Silva. Eles recebem, segundo o jornal, respectivamente, de salário bruto: R$ 6,8 mil, R$ 6,3 mil e $ 8,3 mil.

Algumas das publicações estão na página do Movimento Conservador, mas a maioria está na de Edson Salomão, chefe de gabinete do deputado e presidente do movimento.

Salomão também é alvo do inquérito do STF e pré-candidato a vereador em São Paulo.

Procurado, o chefe de gabinete disse que está impedido de comentar o caso porque o processo segue em sigilo de Justiça.

Já o deputado Garcia negou que seus funcionários tenham feito publicações para Salomão. Disse ainda que “trata-se de vazamento seletivo e distorcido de informações de processo em segredo de justiça”.

Há publicações reproduzidas no Instagram do chefe de gabinete de Douglas Garcia, mas o IP identificado é Cleber dos Santos Teixeira, ex-secretário parlamentar de Alexandre Frota (PSDB) na Câmara.

Teixeira afirmou que não fala com Salomão desde a campanha de 2018 e que nunca teve acesso às suas redes sociais. Sobre o seu IP estar relacionado ao caso, disse achar “curioso” e “interessante”, mas não sabe como isso pode ter acontecido.

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